A questão do solo, do agronegócio e da fome no Brasil

Por Roberto Lúcio Pereira, professor.


Dentre os grandes problemas enfrentados pelo mundo atual, temos a fome que assola todo o mundo, no Brasil não é diferente. Temos hoje cerca de 19 milhões e 300 mil pessoas passando fome. O pior de tudo é que o cenário geopolitico e geoeconomico para 2022, não é nada agradável, pois apesar de sermos juntamente com os EUA, um dos maiores produtores de grãos do mundo, a fome ainda é um espectro que ronda nosso país, que vem sofrendo um processo avassalador de recolonização.


Temos uma área plantada de soja do tamanho da Espanha, ou seja desde 1970 até 1990, o que chamamos de complexo sojifero cresceu 394%, sem levar em consideração as novas fronteiras agrícolas como MA TO PI BA( Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Existe um mito com relação à geografia agrária brasileira e a questão da pedologia (estudo dos solos), de que no "Brasil tudo que se planta dá", quando na realidade possuímos poucos solos férteis, dentre eles podemos citar o solo de massapê, a terra roxa, as terras pretas da Amazônia ( apenas 5%) e loess no sul do Brasil. As regiões onde temos destaque na produção agrícola como o cerrado, os solos são ácidos, e são corrigidos por um método conhecido como calagem (introdução do calcário, com objetivo de equilibrar o ph do solo). Formado por 13 elementos químicos, o solo tem como destaque a tríplice pedologica N( nitrogênio) P(fósforo) K( potássio), que além de fazer parte da composição do solo é de extrema importância para a indústria de fertilizantes, dentre os outros elementos químicos podemos citar, enxofre, magnésio, alumínio, boro, cálcio, cobre, ferro, zinco, cloro e molibdênio.


Apesar da Embrapa (Empresa brasileira de pesquisa agropecuária), ser uma das melhores do mundo, o Brasil vem abandonando progressivamente as pesquisas com relação à produção de fertilizantes. Por exemplo, a exploração do fósforo no Brasil vem decaindo ano a ano, sendo assim estamos dependentes da importação de fertilizantes da China, que vive uma crise energética e deve diminuir sua exportação nos próximos anos e a Bielorrússia, que vive uma crise política, sem contar o aumento do preço do nitrogênio (190%), fósforo (100%) e potássio (90%).





Enquanto isso, vemos toda a propaganda do agronegócio sobre suas façanhas, mas o fato é que uma parcela considerável do povo brasileiro anda passando fome, enquanto vê subir o preço dos alimentos, do gás de cozinha e vivencia a retirada de direitos sociais, o aumento do desemprego e as medidas perversas do governo genocida. O debate sobre a reforma agrária foi substituído pelo reacionarismo que defende os interesses do latifúndio acima de tudo. É preciso denunciar esta situação e enfrentar os defensores dessa política.