Eleições 2022, mídias alternativas e o mais do mesmo



Por Nicolau Neto, professor


A frase "o Brasil não é para amadores" vem fazendo todo o sentido ultimamente. Principalmente com os nomes ventilados para concorrerem a presidência da República. Não só isso, mas as chapas que estão sendo desenhadas. Já ouvi e li várias vezes a expressão "Lula | Alckmin".


A chapa não representa nenhuma novidade. Já vimos algo parecido com Lula | Alencar, Lula | Temer e Dilma | Temer. Se for programático, pragmática e para garantir governabilidade, não é garantia alguma. O último governo Dilma tá aí para não restar dúvidas. No aspecto ideológico também não, porque os partidos, sobretudo, os taxados como esquerdas, deixaram de lado as bases teóricas e ideológicas para seguirem o projeto de poder. Não importando o caminho para se chegar até ele. Isento aqui aquelas agremiações que ainda não tiveram a oportunidade de chegar ao poder, como PSOL, UP, PCB....


Agora a última novidade que apareceu foi uma chapa Simone Tebet | Marina Silva. Quanta ousadia, hein? Ou será possível? Possível é. Afinal, a Marina já apoiou o Aécio Neves contra Dilma. Então, não é uma questão de gênero. Mas de projeto de poder. Por ele, a chapa é possível sim. E não seria surpresa alguma.


Nenhum dos nomes alçados ou que se lançaram tocaram no que é preciso ser tocado: a construção de um projeto de sociedade em que os que estão a margem possam ser inseridos. Nenhum deles/as falou sobre taxar as grandes fortunas; em democratizar a mídia; em romper com as algemas do capitalismo e construir de fato, uma sociedade com equidade.


O Péricles, da UP, tem um projeto nesse sentido, mas suas ideias não chegarão ao povão. A concentração midiática é enorme e a grande maioria das pessoas consomem só Globo, SBT, Record, Band....

As mídias alternativas mal começaram e já estão sucumbindo, trazendo a público o mais do mesmo. São pouquíssimas as que resistem.