Estátua de Borba Gato queimada por manifestantes traz Luiz Gama


(FOTO/ Pedro Borges).

Por Nicolau Neto, professor


A estátua de Borba Gato inaugurada em São Paulo no ano de 1963 foi queimada neste sábado, 24 de julho, durante as manifestações contra Bolsonaro. O monumento do escultor Júlio Guerra tinha mais de 10 metros e foi construído em comemoração ao IV Centenário do Bairro Santo Amaro.


Durante os atos contra o governo federal, mais de 40 pessoas ligadas ao movimento "Resistência Periférica" usaram pneus para atear fogo no símbolo dos bandeirantes paulistas, mas que representa sangue e dor por sua relação com um passado de escravidão de negros e indígenas.


Mas quem Foi Borba Gato? Qual sua relação com a História?


Barba Gato é o retrato de um país que cultua falsos heróis. Ele foi colono, foi bandeirante e escravagista. Durante suas ações como bandeirante, principalmente em Minas Gerais e São Paulo aprisionou os indígenas e depois os vendia como escravizados. Isso quando não eram mortos, e no caso das mulheres os estupros aconteciam.


O fogo ateado na estátua de um escravagista traz para o centro da História um dos maiores símbolos do movimento abolicionista brasileiro e figura central contra um Brasil escravocrata, o advogado, poeta e jornalista Luiz Gama. Gama conseguiu libertar mais de 500 escravizados, e ficou convencido de que precisava usar outras maneiras de atuação contra qualquer escravagista, além das leis, para acabar com a escravidão.


A ação de ontem (24J) traz Gama porque foi ele quem disse que “o escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”. E é dentro dessa ambiência que o ato da queima do monumento do Borba Gato deve ser vista. Foi um ato antirracista e assim deve ser entendido.


Classificar os revolucionários desse ato como vândalos e criminosos é negligenciar a História do Brasil. É reforçar a História tradicional contada nos livros.