Instituições? Que instituições?!



Sued Carvalho, professora


“As instituições precisam reagir!”, diz parte da esquerda e da centro-direita. Bem, cabe perguntar: Que instituições? Quem afirma isso ou é muito desmemoriado, ou muito desonesto. Ora, não foi em 2016 que uma presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT) foi derrubada em um processo viciado e sem crime de responsabilidade? Esse Partido que faz propaganda por uma frente ampla que inclua aqueles que desferiram o golpe em 2016, parece esquecer que sentiu na pele os limites da conciliação de classe e da via estritamente institucional.


Desde 2016 estamos em Estado de exceção, as forças armadas interferiram ativamente no processo das eleições de 2018, como o próprio ex-comandante do exército Eduardo Villas Boas, o judiciário fecha os olhos para os mais bizarros absurdos e o congresso nacional ataca, ativa e efetivamente, todas as conquistas democráticas da classe trabalhadora.

Querem implorar a essas instituições? Francamente...


Qualquer Partido da esquerda que imagine ser possível uma solução eleitoral na mesma forma de 2002, isto é, através de um governo de coalizão institucional com os partidos do Arenão (Partidos fisiológicos descendentes da antiga ARENA, hoje chamados de “Centrão”) está se iludindo ou iludindo os trabalhadores e trabalhadoras. O Exército está perigosamente politizado, interferindo ativamente no dia a dia de Brasília, participando de manifestações em favor do projeto político de Jair Bolsonaro, que cometeu os mais atrozes crimes possíveis durante sua gestão, crimes cujas vítimas já somam 540 mil vítimas fatais, e as instituições... Bem, existem instituições para as quais podemos apelar?


Se Lula vencer a eleição em 2022, vai dar no quê? Nessas condições ou ele deixa de assumir, sofre golpe ou se torna um mero fantoche passivo das forças golpistas, as mesmas que deram o golpe em 2016 e por ele foram beneficiadas. Diante dessa dura realidade é de estranhar que parte da esquerda esteja tão iludida com a via eleitoral e tão vacilante em organizar os trabalhadores para protestos cada vez mais frequentes, visando a pavimentação do caminho para uma greve geral.


Nesse cenário de tensão a organização popular é a única solução, é a única que se provou efetiva no Chile, na Colômbia e, recentemente, no Peru, quando os trabalhadores na rua garantiram o reconhecimento da vitória de Pedro Castillo, que já mostrou estar disposto a chamar as massas para dar sustentação e legitimidade ao seu governo.


Um governo de esquerda que confie estritamente na via institucional, sem fortalecer a democracia direta e a participação dos trabalhadores, que seja vacilante e se valha de coalizões com o centrão, está condenado a cair como um castelo de cartas, indefeso e vulnerável...


Deixemos de lado a vacilação, aceleremos o processo de mobilização, só assim abrimos a possibilidade para a construção do poder popular e derrotaremos o fascismo! Se não aumentarmos a força e o peso dos protestos, a tendência é que eles enfraqueçam e quem ganharia com isso? Não seríamos nós.