Nessas eleições, verifique sobre o proletariado

Por Darlan Reis Jr., historiador


Sim, leitores do Intelectual Orgânico. Não foi engano de edição. Mas então, o que o proletariado tem a ver com as eleições municipais? Qual é a relação entre as prefeituras, as câmaras de vereadores e o proletariado?





O proletariado, para não ficarmos em longas explicações teóricas, é a classe social dos trabalhadores, daqueles que vivem do seu próprio trabalho, mas sem explorar outras pessoas. São aqueles que vendem sua força de trabalho em troca de um salário. Mas nem sempre isso ocorre. No Capitalismo, a maior parte dos proletários procura sobreviver através de empregos, sejam eles nas empresas privadas ou nas empresas públicas. Muitos proletários estão desempregados, ou em condições de subemprego, condições precárias de trabalho. Outros vivem de pequenas atividades econômicas, como artesanato, venda de produtos, prestação de serviços.


E o que isso tem a ver com as eleições municipais? São várias as relações entre a condição de proletários e as eleições nas limitadas democracias burguesas. Farei uma breve lista dessas relações.


1) Quem defende as causas do proletariado nas eleições?


Essa é uma questão crucial. Verifique se os candidatos ou as candidatas que você vai votar, defendem os interesses da nossa classe, o proletariado, ou dizem que defendem os interesses de "toda a sociedade".


Como alguém pode defender interesses antagônicos ao mesmo tempo?


Um exemplo: o seu candidato ou candidata, na hora de votar ou deliberar sobre a questão do transporte público, vai ficar ao lado dos donos das empresas de ônibus ou ao lado dos usuários, dos passageiros e dos trabalhadores no transporte? Essa é uma questão decisiva.


Outro exemplo: na hora de decidir sobre a questão do saneamento básico, o seu candidato vai ficar ao lado da população proletária, ou ao lado daqueles que defendem a privatização da água?


2) Quem financia, cobra depois.


Hoje em dia, a legislação brasileira prevê que os recursos para as eleições sejam públicos. Muita gente critica isso, mas pense bem: como um trabalhador assalariado, um proletário, teria condições de enfrentar um candidato burguês, muito rico?


Mesmo assim, sabemos que a distribuição entre os partidos é desigual, conforme o número de deputados de cada partido na Câmara de Deputados. Além disso, a lei abre brechas: as pessoas físicas podem doar. Aí fica a questão: quando uma pessoa poderosa, um burguês muito rico faz doações para determinados partidos e candidatos, o que ele vai querer que esse candidato faça depois de eleito?

Quem financia, cobra a conta. Pode ter certeza.


Verifique quem contribui para o candidato que você pretende votar. Isso é muito importante.


3) A questão não é só ser de Esquerda contra a Direita. Verifique o Partido do seu candidato e as alianças que esse partido faz.


Nesse Brasil de hoje, com a presença do bolsonarismo e das pautas reacionárias, muitas vezes ficamos presos à ideia de Esquerda X Direita. Isso também é importante. Mas não é o único aspecto decisivo para a nossa vivência nas cidades.


O partido do seu candidato ou candidata, além de se dizer de Esquerda, defende de verdade os interesses proletários? Não só na teoria, mas também na prática?


Na hora de disputar as eleições, com quem ele procura alianças? E antes das eleições, como ele se comporta? E depois das eleições, vencendo ou perdendo, o que esse partido estará fazendo? Ele é mesmo um agrupamento político que atua para nos defender em quanto classe?


Isso é fundamental para você pensar, leitor e leitora do Intelectual Orgânico.


Não adianta discurso na hora da eleição, se o candidato está em partidos políticos da burguesia, apoiando oligarcas, coronéis, ricos que só querem o nosso trabalho e que acham que a pobreza é um destino e consequência da "vagabundagem" dos pobres.


A luta não é só Esquerda contra a Direita, é principalmente em defesa dos interesses do proletariado. Pense nisso na hora de discutir a política municipal e de votar.








Brasil, América Latina.