Uma obra que precisa ser lida: Estrutura Social e Formas de Consciência

Por Darlan Reis Jr., historiador.


Hoje a dica de leitura é "Estrutura Social e Formas de Consciência", obra de István Mészáros, que é dividida em dois volumes.


"Nos últimos anos, a teoria de base e superestrutura de Marx esteve sujeita a muita crítica. Na realidade, tornou-se praticamente moda se envolver em uma rejeição indiscriminada do quadro conceitual marxiano. Além disso, essa rejeição é frequentemente atrelada às tentativas de substitutir os conceitos marxianos criticados por alguma vaga noção neoweberiana de "cultura", ou por alguma fala ainda mais vaga - bem como circularmente autorreferencial - sobres "direitos materiais e imateriais" e susgestões similares". (MÉSZÁROS, István. Estrutura social e formas de consciência, volume II: a dialética da estrutura e da história. São Paulo: Boitempo, 2011, p. 65).





Sim, eu sei, os livros em geral estão caros, as livrarias estão fechando pelo país afora, enquanto existem academias para exercícios físicos abertas 24 horas, não temos quase bibliotecas públicas que abram nos fins de semana, por todo o Brasil. Afinal, bibliotecas públicas abertas todos os dias, com horários alternativos e livros de todos os tipos para a classe trabalhadora acessar, parece até que é algo muito caro e difícil de ser realizado...


Mesmo assim, recomendo a leitura dessa obra de Mészáros. Principalmente para quem é da "área de Humanas", como dizem por aí. Mas não só para eles, mas sim para todos os militantes e intelectuais orgânicos da nossa classe.


O primeiro volume é intitulado "Estrutura social e formas de consciência: a determinação social do método".

Já o segundo volume tem como título "Estrutura social e formas de consciência II: a dialética da estrutura e da história".


Veja o que o site da Editora Boitempo afirma sobre cada volume:


"Estrutura social e formas de consciência: a determinação social do método".





"Considerado um dos mais destacados pensadores marxistas da atualidade, o filósofo húngaro István Mészáros apresenta, em sua nova obra, uma análise do 'poder coercitivo' que as determinações sociais exercem sobre o método científico das diferentes teorias do conhecimento, no período histórico de regência do capital. A partir de uma minuciosa investigação, Mészáros combate o mito da ciência enquanto empreendimento puramente teórico e neutro, desvinculado de qualquer relação com os interesses de classes, e mostra os limites impostos pelo modo de reprodução social à formulação teórica. Mészáros se debruça sobre as fases de grande continuidade no desenvolvimento do sistema capitalista, voltando seu olhar para a metodologia de diferentes pensadores inseridos num mesmo terreno social, orientado pela reprodução do capital. Os legados de Descartes, Kant, Hegel, Marx, Husserl, Sartre, Lévi-Strauss, Foucault e Hannah Arendt são alguns dos pontos revisitados por Mészáros nesta investigação.

Entre outros aspectos, o autor desfaz a ilusão de que a tradição intelectual burguesa representa 'o interesse universal da sociedade' e demonstra que, ao contrário, tais correntes filosóficas buscam referendar o capital como a única alternativa viável, desconsiderando de maneira conveniente sua dimensão histórica. A obra desvenda, assim, as 'características identificáveis de forma nítida' que circunscrevem os parâmetros metodológicos durante a era do capital, mesmo que sob as significativas inovações teóricas e metodológicas particulares ocorridas em diferentes fases do desenvolvimento socioeconômico. Resgatando o legado de Marx, Mészáros mostra que 'a superação dessa perspectiva metodológica implicaria a superação do próprio capital, visto que há uma conexão insolúvel entre esses dois momentos', segundo Ivo Tonet, que assina a orelha da obra. Estrutura social e formas de consciência: a determinação social do método faz uma contundente reflexão sobre os problemas do método num período histórico de transição e destaca a importância da dialética para a superação do sistema do capital, o qual, devido ao seu aspecto destrutivo, está em crise estrutural".




"Estrutura social e formas de consciência II: a dialética da estrutura e da história".




"Com o segundo volume de Estrutura social e formas de consciência, a grande obra do filósofo húngaro István Mészáros revela uma iluminadora sistematização metodológica da dialética da estrutura e da história, radicada na abordagem marxiana. Assim como Marx em sua época, Mészáros combate as mistificações da 'ciência' submetida aos imperativos alienantes necessários à reprodução atual do capital. Enquanto a crítica de Marx fincou raízes na fase ascendente do sistema sociometabólico do capital - momento em que a apologética científica ainda conseguia velar tanto pelos progressos materiais que a sociedade do trabalho abstrato e alienado haveria de produzir como pelos princípios políticos conquistados pela revolução burguesa -, a radicalidade das análises de Mészáros emana do fato de que o capital enfrenta hoje seu processo descendente, uma crise estrutural que aciona seus limites mais absolutos e autodestrutivos.

'O realismo da sua crítica revolucionária põe em necessária evidência o caráter irracionalista de qualquer forma de apologia ao sistema, desde os mais velhos aos mais novos estruturalistas, aqueles que aderem à estrutura social, cujo funcionamento Mészáros, assim como Marx, dedica toda uma vida a desvendar', afirma a socióloga Maria Orlanda Pinassi. A obra também desvenda uma profunda preocupação com as implicações práticas de longo alcance, e não apenas teóricas e acadêmicas, advindas da relação dialética entre estrutura e história. Para o autor, nenhuma melhoria significativa no tempo ainda disponível para a humanidade é possível sem a compreensão do verdadeiro caráter das determinações da ordem cada vez mais destrutiva de reprodução societal do capital. No horizonte do pensamento de Mészáros, o leitor encontra a necessidade da intervenção emancipadora dos seres humanos comprometidos nas tendências em desdobramento do desenvolvimento histórico".


Não deixe de ler Mészáros, autor instigante e defensor do materialismo histórico.