NA HORA DO “VAMO VER” OS PELEGOS E OPORTUNISTAS SE REVELAM


Sued Carvalho, professora


Rosa Luxemburgo foi assassinada em 1919 como consequência da traição do Partido Social Democrata alemão, que ajudou a sabotar a revolução alemã em nome de uma aliança ampla para “salvar a Alemanha”. É isto, nos momentos de maior tensão da luta de classes, em que a ditadura da burguesia abandona suas amarras “democráticas”, a esquerda do capital revela seu lado à serviço dos burgueses. Foi o que aconteceu em São Paulo, nas manifestações de sábado.


Segundo militantes da Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB) e outras testemunhas, ocorreram agressões por parte do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) direcionados aos que compunham o Bloco Combativo devido a atos de ação direta, mesmo atos “inofensivos” como fechar uma rua. Os representantes do MTST teriam tomado o lado da Polícia Militar, inclusive, abrindo passagem para que ela reprimisse os sindicalistas revolucionários.


É isto! Um ano antes das eleições presidenciais, alguns movimentos de esquerda, para não melar as negociatas, assumem uma postura condescendente com a repressão, agem nos limites delimitados pelos inimigos de classe, querem que os protestos sejam ordeiros e obedeçam a Polícia Militar e, nos momentos de tensão, assumem o lado dessa corporação em vez do dos trabalhadores e trabalhadoras em luta.


Boulos quer concorrer ao governo de São Paulo, acredita ter chance, e o movimento onde nasceu sua carreira política espera que ele consiga, Lula está na mesma, assim como Ciro. Eles jogariam todos os esquerdistas mais radicais no fogo para sentar na mesma mesa que Renan Calheiros, Eunício Oliveira e para apaziguar os generais reacionários.


Não estou aqui afirmando que o MTST, ou qualquer outra organização, deveria ter se juntado à ação direta da FOB e do Bloco Combativo, afinal cada movimento tira sua linha de ação dentro da pauta unificada do protesto, porém entre não usar a mesma tática e apoiar a Polícia Militar, agredindo companheiros, há um abismo.


Essas agressões são evidência de que as organizações de esquerda que apostam nas eleições burguesas como fim em si mesmas estão dispostas assumir o mesmo papel que Friedrich Ebert assumiu outrora ao atacar as lideranças populares.