O processo de troca, o dinheiro, a circulação de mercadorias - em o Capital, de Karl Marx

Por Darlan Reis Jr., historiador


Na última sessão de estudos debatemos os capítulos 2 - O processo de troca e 3 - O dinheiro ou a circulação de mercadorias, do livro 1 de O Capital. Apresentamos aqui o sumário e mais uma vez esclarecemos: é necessário ler a obra, este texto não é um resumo, mas sim observações da leitura realizada.





Entendido o mundo das mercadorias, a questão do valor e do trabalho humano, além do fetichismo que envolvem essas relações, Marx começa a analisar as condições para a troca capitalista de mercadorias, que não são as mesmas que as de outros sistemas anteriores:


- os indivíduos, sujeitos jurídicos dotados de propriedade, que negociam em

condições contratuais, a compra e a venda de mercadorias;

- a necessidade das sociedades em trocar seus excedentes;

- a possibilidade de alienação das coisas no capitalismo.


Marx explica de forma didática, como a relação do dinheiro como medida de valor é fetichizada e aparece na determinação do preço. "O preço é a denominação monetária do trabalho objetivado na mercadoria". São apresentadas as incongruências quantitativas entre preço, grandeza de valor da forma-preço. Mas também são apresentadas as incongruências qualitativas, de modo que o preço deixa de ser absolutamente a expressão do valor. É nessa parte que Marx demonstra como coisas que em si mesmos não são mercadorias - consciência, honra, etc. - mas podem ser compradas.




Com essas questões apresentadas, Marx passa a discutir a questão da mercadoria-dinheiro e do dinheiro, além das suas funções - medida universal de valor, meio de circulação de mercadorias, capital. É explicado no capítulo 3, a diferença entre a circulação do dinheiro como mediador da troca de mercadorias e o dinheiro na função de capital. É possível entender a separação entre o conteúdo real da moeda de seu conteúdo nominal, a existência metálica da existência funcional. Além disso, é explicada a função da mercadoria-dinheiro, sendo usado como exemplo, o ouro, para fins de explicação. Também é abordada a questão do entesouramento, a retenção do ouro, a sua função social para a troca de mercadorias.


Mas o dinheiro também "é ele próprio, uma mercadoria, uma coisa externa, que pode se tornar a propriedade privada de qualquer um". Essa é a parte central do capítulo 3: as diversas funções do dinheiro. É aí que devemos concentrar o estudo, para entendermos como o dinheiro pode transformar-se em capital, pois nem todo dinheiro é capital. E a grande questão é desvendarmos os segredos do capital, categoria central da ordem social capitalista. Portanto, o dinheiro não é apenas moeda e meio de circulação, mas também potencialmente capital, se utilizado para a acumulação que lhe permite reproduzir-se. A circulação do dinheiro como capital é um fim em si mesmo.


Nosso próxima atividade será estudar o capítulo 4 - A transformação do dinheiro em capital, que será realizada em janeiro de 2021.







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