O que representa Arthur Lira e Rodrigo Pacheco nas presidências da Câmara do Senado?


Por Nicolau Neto, professor.


Com 302 votos o deputado federal alagoano Arthur Lira (PP) foi eleito na noite desta segunda-feira, 1º, presidente da Câmara. Na mesma noite o senado elegeu o mineiro Rodrigo Pacheco (DEM) para presidir a casa pelos próximos dois anos. Ele obteve 57 votos. Ambos com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Bolsonaro que intensificou nos últimos dias uma campanha forte em apoio às duas candidaturas que saíram vencedoras nas duas casas como promessas de recriação de ministérios e liberações de bilhões do orçamento. Liberação de recursos em um momento trágico do país, onde há milhões de desempregados, paralisação do auxílio emergencial que, juntos, contribuem para que o país volte a ter pessoas na extrema pobreza. Esse mesmo Brasil que ele desenha como quebrado.


A vitória de Lira e Pacheco representa, portanto, uma vitória para Bolsonaro e ao mesmo tempo uma derrota para o país que verá o impeachment dele mais difícil de ser pautado. Se não foi colocado em discussão quando Rodrigo Maia (DEM) que fazia moderadamente críticas ao governo federal. Não será posto agora com seus aliados.

Representa uma derrota para o povo brasileiro, principalmente para os que estão e sempre estiveram a margem, porque terão direitos essenciais e conquistados com muita luta e resistências vistos como privilégios, pois as famigeradas reformas defendidas pelo presidente, seus ministros e parlamentares poderão passar com mais facilidades nas duas casas.


E o papel da “esquerda” e da “centro-esquerda” nesse desastre anunciado?

A esquerda e a centro-esquerda abdicaram do papel importante nesse processo e decidiram erroneamente apoiar na Câmara o Baleia Rosi (MDB), que era do mesmo ninho do seu principal concorrente, o Lira e no senado o próprio candidato do Bolsonaro.

Nesse cenário trágico, vale aplaudir a atitude digna de Luiza Erundina (PSOL) que não se rendeu e ao manter sua candidatura a presidência da Câmara fez um discurso digno de si e de sua trajetória política. Ao contrário do que li e ouvi recentemente a candidatura dela não foi só pra marcar posição. Representou um projeto político de um parlamento de fato independente e um projeto de uma sociedade com equidade.

Aos demais fica a lição de que com partidos como o PSDB, MDB e DEM não se faz alianças. São partidos para serem combatidos. É uma lição simples. Mas a luta não meramente eleitoreira pode e deve continuar. Agora mais do que nunca.


Os próximos dias serão de recriação de ministérios. A conta vai chegar.

Brasil, América Latina.