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A Educação sequestrada

Por Darlan Reis Jr., professor.


Do que mais precisa saber, o Senhor Ministro da Educação, Camilo Santana, para interromper o retrocesso do "Novo Ensino Médio"? Criado no governo golpista de Michel Temer, o "NEM" foi estabelecido pela lei nº 13.415/2017. Já com o Brasil nas mãos dos golpistas, no ano de 2016, o então Ministro da Educação, Mendonça Filho, propôs o modelo que foi aprovado: redução da carga horária das disciplinas gerais do Ensino Médio, tornando obrigatórias apenas português e matemática, criar os "itinerários formativos", permitir o "notório saber" para a prática docente, sem a necessidade de diploma, permitir que parte do ensino fosse realizado à distância.


A falácia


O argumento dos golpistas, do empresariado na educação (Fundações Privadas), dos liberais e posteriormente dos bolsonaristas é que o "NEM" seria uma mudança para melhor, faria diminuir a evasão escolar, seria mais "atrativo", prepararia "melhor para o mercado de trabalho". Aos 14, 15 anos de idade, os estudantes teriam as "opções" apresentadas, com os "percursos de aprendizado" que dialogariam com seus "interesses e projetos de vida"... Sim, isso mesmo, que você leu. Além disso, vemos todos os dias, os discursos de que esses jovens passarão a aprender sobre "empreendedorismo", "educação financeira", "projetos de vida". Quando vamos para as escolas brasileiras, vemos que este é um projeto de formação de trabalhadores para o "mercado de trabalho", e preparar a juventude pobre para que não entre nas universidades. Essa é a verdade, Senhor Ministro Camilo Santana.


O Novo Ensino Médio começou a funcionar de fato, a partir de 14 de julho de 2021, pelas mãos do Ministro Milton Ribeiro, aquele que depois chegou a ser preso, ministro do bolsonarismo, que disse que universidade não era para todos!


Não foi para isso que lutamos contra o bolsonarismo e para eleger Lula presidente. Não foi para manter o retrocesso na Educação. É imprescindìvel que esse retrocesso chamado de "Novo", seja abolido, revogado. Não é permitido vacilar, oscilar, colaborar com os interesses do liberalismo, do golpismo e do bolsonarismo, ainda mais na Educação.


Felizmente, os movimentos sociais, a esmagadora maioria dos professores e professoras, estão mobilizados na luta pela Revogação do Novo Ensino Médio. Infelizmente alguns "companheiros" e "companheiras" que até a eleição do ano passado criticavam o "NEM", agora silenciam.


O deputado Glauber Braga (PSOL - RJ) junto com outros parlamentares "protocolaram um projeto de decreto legislativo que susta o cronograma nacional de implementação do Novo Ensino Médio", segundo o site da Revista Carta Capital (Leia https://www.cartacapital.com.br/carta-capital/deputado-pede-a-revogacao-do-cronograma-do-novo-ensino-medio/).


Vamos continuar a mobilização, o debate e a denúncia. E cobrar do governo Lula que interrompa o projeto político mais nefasto dos últimos tempos para a área da Educação. Devemos reafirmar a importância dos professores e professoras no processo decisório, não podem os "gestores" e "técnicos" deliberarem os rumos da Educação, os "conselheiros nacionais", enquanto assistimos o festival de absurdos desse modelo excludente de Educação. Essa "mudança" que não muda a realidade social, aliás, que a piora, que prejudica a formação de milhões de jovens, que aumenta o fosso entre pobres e ricos, com educação diferenciada, deve ser combatida.




Ilustração: Capa do livro "A Educação para além do Capital", de István Mészáros. Foto de Sebastião Salgado.



A lógica de subordinação capitalista na Educação deve ser confrontada. Eles dizem que "não há alternativa", excluem a legitimidade da contestação, apresentam um arsenal de "especialistas" defendendo os interesses do "mercado" e das "fundações privadas" na área de Educação. E o governo Lula ainda não enfrentou o problema. O que fez até agora o Ministro Camilo Santana foi iniciar uma "consulta pública" e dar declarações vacilantes sobre o tema. Enquanto isso, o NEM continua a funcionar, prejudicando o trabalho docente e enfraquecendo os estudos de milhões de jovens.

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